querida,
escrevo-lhe com certo tardar, mas não exatamente tarde.
escrevo, até, de uma certa tarde que arde em nós.
Aqui, Barbara, tem ardido, sabia?
A vida arde, vc não acha?
Queima, por vezes.
E temos que, sabiamente, cuidar de nossas feridas-queimaduras, buscar alguma sombra, assentar um pouco.
Tive a impressão de que os dias passam e não me dou conta deles.
Escorrem por entre os dedos curtos, vazam por entre as frestas, mesmo que os tente agarrar - e ainda pior se o fizer.
Já notou uma certa inverossimilhança do tempo-espaço? Parece que quanto mais rápido nos movemos, menos tempo temos... e o tempo de paralisação, quão rápido ele passa...
Sabe, tenho tido uma certa crise histérica, acredito.
Insônia.
Insônia, para mim, cheira a histeria não trabalhada.
é uma forma de histeria, uma maneira histérica de não histeria - uma quase obsessão.
E, falando em obsessão, é outra a conotação que agora dou a esta palavra.
Estou obcecada. Obcecada pela vida. Por tudo que move e que pára.
Por parar e mover, seguir e estancar.
Por tudo que se arrasta, que se esfrega ao chão; que toca, que através de seu corpo, toca e move e vive e ama.
O que acha disso tudo?
Te revelo o contexto em que te escrevo:
dois dias de insônia,
me sinto meio flutuante durante as manhãs,
pela noite, uma certa hipersensibilidade da pele me traz uma insensatez irritante.
Tudo coça. tudo incomoda.
Meu pé roçando no meu outro pé, minha pela tocando o lençol...
o corpo é incômodo para mim.
Veste não escolhida na qual estou presa, apertada, transbordando.
Minha existência-corpo me chateia esses dias.
O que fazer com tanto corpo, Barbara? Você tem alguma ideia? Já pensou sobre isso alguma vez?
O que fazer com tanto sono mal localizado?
bem, deixo aqui contigo meus devaneios de hoje...
que saudade da gente!
Paula
Responsável pelo que cativas
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
The Bechdel Test for Women
Paula, isso aqui é muito interessante. Vou tentar traduzir:
No video abaixo é dito ainda mais claramente do que se trata o teste Bechdel"De fato, muitos poucos filmes passam no teste Bechdel. O que é deprimente, porque as exigências do teste não são muito altas. O teste Bechdel vem de uma tirinha de 1985 chamada "A Regra" pelo brilhante cartunista e escritor Alison Bechdel. Na tirinha, uma mulher declara que ela "só irá assistir à um filme se ele satisfizer três requerimentos básicos". Deve haver pelo menos duas mulheres nele que "conversam entre si sobre... alguma coisa que não um homem". Soa simples não é? Quão difícil deve ser para quem faz filmes garantir que dois personagens femininos interajam entre si independente de um homem, por apenas uma pequena cena?Infelizmente, a resposta parede ser "de fato muito difícil". O que é ainda mais deprimente é que a maioria das pessoas não percebe. "
- Há duas ou mais mulheres no filme, que possuam nome?
- Elas conversam entre si ?
- Elas conversam entre si sobre um assunto que não seja sobre homens?
E como o video lembra muito bem, não é um teste sobre se o filme é feminista, ou se é um filme bom, mas apenas se há mulher nele ocupada com algo que não seja com um homem.
Espero que goste.
Espero que goste.
não tem novidade...
Ei Paula, como você está?
Pois é, as férias dos meninos acabaram. Férias são muito cansativas, e estou muito cansada. Mas enfim, a vida é assim mesmo,a vida dá muitas voltas, e chega de clichês né?
Ontem eu fui à um aniversário de um tio, o almoçou foi uma receita de uma espécie de vatapá piauense. Parece que na verdade a receita é da minha avó, não é propriamente uma receita típica, estava MUITO bom.
E por falar em receita, acabei de fazer um bolo de cenoura. Assim que eu tirar uma foto (hoje mais tarde), vou colocar aqui a receita. É bem fácil e muito gostoso.
Na verdade não tenho muitas novidades por agora, apenas muitos projetos. Preciso mudar a direção da minha vida. Funciono dessa forma mesmo, eu preciso ficar me reinventando. E não dá só para mudar um móvel de lugar, eu preciso tirar tudo da sala e colocar de novo. As novidades pequenas que eu tenho pertencem a um universo tão particular que não sei se posso colocar num lugar tão público... Aproposito, eu já tinha visto o filme que você indicou, gostei muito. O último filme que eu vi um do Kubrick, "Barry Lyndon". Sei que meu comentário vai soar infelizmente cult e pedante, mas eu adoro o uso que o Kubrick faz das cores e das músicas, ADORO! O penúltimo que eu vi também foi dele, o "Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb", muito bom também.
Meu último vício musical é pop, mas achei tão gostosinha a batida... Eu já to esperando as suas pedras (:-P) , mas aqui está:
Hum... Xo pensar o que mais aconteceu... Eu paguei um mico gigantesco sexta feira. Cismei de que não ia pintar o cabelo, mas estava coçando para mexer nele, e aí eu penso em medidas naturebas-ripongas. E fui pesquisar as tais medidas no google. E achei... Suco de beterraba para ficar ruiva! Bom, o resumo da historia é que eu fiz o maldito suco de beterraba com cenoura para meu cabelo, e derramou na cozinha. Parecia que eu tinha cometido uma chacina lá mesmo, o suco era vermelho sangue. Espirrou nas paredes, no chão. Mas como sou uma pessoa teimosa perseverante fiz de novo, e coloquei no cabelo. Além da chacina ter se espalhado no banheiro, visualize a cena, eu com uma touca de plástico na cabeça , e suco "sanguinolento" escorrendo pelo meu rosto e pescoço. Chamei meu filho para apreciar a cena, por pouco ele não achou que eu queria devorar seu cérebro. Enfim, o suco não alterou em nada meu cabelo, só a minha paciência...
Como estão as coisas por aé? E os amores?
Beijos!
terça-feira, 27 de julho de 2010
pois é...
Barbarela,
não ando inspirada e o meu tempo, esses dias, está concentrado em resolver coisas, vc sabe como é isso. Filho chegando já, coisas atoladas que precisam ser resolvidas, soluções que precisam ser encontradas, enfim... um quebra-cabeça de ações e sensações.
Sabe, Barbara, enquanto lhe escrevo escuto um lindo cd de canções de ninar que comprei aí no malagute. E essa composição de sensações, tarefas, resoluções, afetos e tudo o mais que é constituída aqui nessa vida, me leva, de um modo ou de outro a buscar um sempre mais. Por isso, qdo comecei a carta falando da falta, notei e me movimentei no sentido oposto - o que, afinal, sempre abunda?
o que nos leva a sempre um mais?
o que pode um corpo? diria Espinoza.
como, enquanto lhe escrevo - sim, acabei fazendo um monte de coisas ao acordar e só agora tomo café, perto da hora do almoço, mas sabe, não observo esses horários alimentares, como qdo tenho fome e procuro me alimentar bem nesses momentos.
Sim, mas qto ao que como agora - uma espécie de pizza de pão integral, muito saborosa e apimentada.
enquanto as cortinas de chita impedem que toda a luz ofusque um pouco da sombra que precisa estar presente, sempre.
E por aqui me despeço,
um demorado afago em teus cabelos.
Até logo.
Ah, me passe alguma receita daquelas fáceis e gostosas.
Te indico um filme: medos privados lugares públicos, alain resnais.
não ando inspirada e o meu tempo, esses dias, está concentrado em resolver coisas, vc sabe como é isso. Filho chegando já, coisas atoladas que precisam ser resolvidas, soluções que precisam ser encontradas, enfim... um quebra-cabeça de ações e sensações.
Sabe, Barbara, enquanto lhe escrevo escuto um lindo cd de canções de ninar que comprei aí no malagute. E essa composição de sensações, tarefas, resoluções, afetos e tudo o mais que é constituída aqui nessa vida, me leva, de um modo ou de outro a buscar um sempre mais. Por isso, qdo comecei a carta falando da falta, notei e me movimentei no sentido oposto - o que, afinal, sempre abunda?
o que nos leva a sempre um mais?
o que pode um corpo? diria Espinoza.
como, enquanto lhe escrevo - sim, acabei fazendo um monte de coisas ao acordar e só agora tomo café, perto da hora do almoço, mas sabe, não observo esses horários alimentares, como qdo tenho fome e procuro me alimentar bem nesses momentos.
Sim, mas qto ao que como agora - uma espécie de pizza de pão integral, muito saborosa e apimentada.
enquanto as cortinas de chita impedem que toda a luz ofusque um pouco da sombra que precisa estar presente, sempre.
E por aqui me despeço,
um demorado afago em teus cabelos.
Até logo.
Ah, me passe alguma receita daquelas fáceis e gostosas.
Te indico um filme: medos privados lugares públicos, alain resnais.
É preciso começar...

Paula querida, hoje escrevo por aqui mesmo, senão esse blog nunca começará. É como eu te falei outro dia sobre filhos, na verdade não existe hora certa, a hora certa é a hora que ele vem. E assim é esse blog, a hora certa de começá-lo é quando nós duas sentarmos e escrevermos.
E, francamente, da minha parte isso aqui é algo parecido mesmo com a experiência de ter filho, algo íntimo, particular, ao mesmo tempo público, externo. É para ser lúdico, eventualmente banal, desabafado, e frequentemente reflexivo.
Infelizmente não posso escrever aqui com a frequencia que a minha vontade determinaria, senão passaria várias horas no computador. Porque a verdade é que tantas coisas miúdas e especiais acontecem alguns dias que dá uma vontade danada de torná-las eternas ao verbalizá-las. Porém preciso selecionar, senão escreverei cartas verborrágicas para você. Também não gostei do "verborrágico", parnasianismo não é para mim. É preciso lembrar que tem dias que nada relevante acontece, ou que prefiro esquecer, ou que esqueço mesmo.
Gostei do seu último email, achei interessante a sua visão de que " pelo mundo que construiu para vc, a forma como construiu." Na verdade acho que até você dizer isso eu tinha uma visão bem passiva da realidade, de que as coisas acontecem, não de que eu fiz acontecer. Claro que não pensava nesses termos absolutos, eu sei que faço acontecer, mesmo porque a vida é essa interação maluca da gente mesmo com o mundo. Mas eu acho que não me via tão agente assim da minha realidade, mas é assim mesmo como você observou. E gostei.
Adorei as suas cortinas de chita. Adoro chita. Como eu já tedisse você é almodovariana, e chita combina com você, é colorido e alegre.
Bom, o dever me chama. Para ser mais precisa, os meninos me chamam.
Beijos e beijos!
Barbara
E, francamente, da minha parte isso aqui é algo parecido mesmo com a experiência de ter filho, algo íntimo, particular, ao mesmo tempo público, externo. É para ser lúdico, eventualmente banal, desabafado, e frequentemente reflexivo.
Infelizmente não posso escrever aqui com a frequencia que a minha vontade determinaria, senão passaria várias horas no computador. Porque a verdade é que tantas coisas miúdas e especiais acontecem alguns dias que dá uma vontade danada de torná-las eternas ao verbalizá-las. Porém preciso selecionar, senão escreverei cartas verborrágicas para você. Também não gostei do "verborrágico", parnasianismo não é para mim. É preciso lembrar que tem dias que nada relevante acontece, ou que prefiro esquecer, ou que esqueço mesmo.
Gostei do seu último email, achei interessante a sua visão de que " pelo mundo que construiu para vc, a forma como construiu." Na verdade acho que até você dizer isso eu tinha uma visão bem passiva da realidade, de que as coisas acontecem, não de que eu fiz acontecer. Claro que não pensava nesses termos absolutos, eu sei que faço acontecer, mesmo porque a vida é essa interação maluca da gente mesmo com o mundo. Mas eu acho que não me via tão agente assim da minha realidade, mas é assim mesmo como você observou. E gostei.
Adorei as suas cortinas de chita. Adoro chita. Como eu já tedisse você é almodovariana, e chita combina com você, é colorido e alegre.
Bom, o dever me chama. Para ser mais precisa, os meninos me chamam.
Beijos e beijos!
Barbara
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